O papel do Departamento de Comunicação em uma
Organização (1ª parte)
Resumo - A relevância de um departamento na
organização dedicado à Comunicação, é ainda pouco reconhecida entre
os novos profissionais da área da comunicação social. Entretanto,
uma Diretoria de Comunicação ou Assessoria de Comunicação -
normalmente chamadas de DIRCOM e ASCOM, respectivamente - pode
representar um forte incremento para as ações estratégicas
corporativas uma vez que potencializa, sistematiza e perfila as
informações que são geradas pela organização e as informações que
são necessárias para o bom desenvolvimento de seu negócio.
Este
artigo, por tanto, é escrito para o estudante de comunicação que tem
interesse pelo mundo empresarial e institucional e para o empresário
que busca transparência na sua empresa e relações mais sólidas com
seus públicos, procura também mostrar a importância de um
departamento de comunicação dentro da estrutura de uma
organização.
Palavras-chave - Comunicação - Organização -
Informação - Assessoria
A Diretoria
de Comunicação ou Assessoria de Comunicação - com freqüência
abreviadas como DIRCOM e ASCOM, respectivamente - têm um papel
preponderante na descentralização da gestão de informações e
contribui significativamente para o compartilhamento de um estilo
organizacional.
Para
referir-nos ao departamento estruturado dentro de uma organização,
seja empresa ou instituição, responsável pela comunicação
corporativa ou, como também é conhecida, pelas Relações Públicas,
vamos adotar, neste artigo, a sigla DIRCOM.
Como o
ojetivo da comunicação corporativa é o fortalecimento da imagem
corporativa, o papel da DIRCOM consiste em valorizar os serviços da
comunicação, ampliando-lhe desde o clipping de imprensa até
pesquisas mais elaboradas sobre o valor econômico da marca da
organização ou o capital da sua reputação corporativa. (Villafañe:
2002: 91)
Esses
serviços possuem objetivos e funções bastante específicas. Karl
Nessmann, catedrático da Universidad de Klagenfurt (Austria)[1],
caracteriza a Comunicação Corporativa ou Relações Públicas, da
seguinte forma:
·
riam e
fortalecem a confiança, a compreensão e a simpatia com o público.
·
atraem a
atenção, o interesse e a necessidade.
·
criam uma
compreensão e aceitação mútua.
·
criam e
mantêm relações e comunicações.
·
articulam, representam e ajustam os
interesses.
·
exercem
influência sobre a opinião pública.
·
resolvem
conflitos (solução e negociação de conflitos).
·
criam
consenso.
Este departamento, portanto,
assume sob a forma de assessoria interna e permanente, o trabalho de
promover a empresa através da sua imagem e sua relação com seus
públicos. É o responsável por imprimir a missão da organização em
tudo o que diga respeito ao seu negócio.
Quando a diretoria de uma empresa
ou instituição percebe a importância de profissionalizar a sua
comunicação através da criação de uma DIRCOM, está abrindo, além de
um departamento, uma via de relações com o mundo interior e o
exterior. E é ai onde se estabelecem os contatos com os públicos,
onde se contrasta a notoriedade da marca, onde se verifica a força
da imagem organizacional.
É nesta via onde os vários aspectos do mundo organizacional
se expressam, e para traduzir toda essa informação os responsáveis
pela DIRCOM têm que ultrapassar os conhecimentos da disciplina
Comunicação Social e enveredar pelo campo de especialidade da
empresa ou instituição para a qual estão atuando.
Na opinião de Barquero, o
departamento de comunicação tem um papel importante na direção da
empresa, "sendo sua função
manter as adequadas relações de uma organização, empresa, holding ou
um determinado coletivo, com seus diversos públicos, dos que
dependemos para a viabilidade e realização de alguns objetivos
previamente fixados, sendo indispensável a utilização de técnicas de
Comunicação Integral, Marketing e Empresa, sabiamente combinadas com
as de Relações Públicas e persuasão". (Barquero: 2002:
27)
Que organização deve ter uma
DIRCOM? Indústrias de todos os
setores, empresas de serviço, instituições de ensino, hospitais,
clubes e associações desportivas e culturais, associações e
sindicatos de classe, partidos políticos, corporações militares,
administrações públicas e ONG´s, para citar alguns exemplos.
Inclusive, empresas virtuais podem ter uma divisão dedicada à
comunicação, neste caso, igualmente virtual, mas com atribuições
muito semelhantes às dos departamentos das empresas fisicamente
estabelecidas.
Wilcox, entretanto, explica que o
papel deste departamento depende intimamente do tipo de organização,
da opinião da alta direção e inclusive da habilidade do diretor de
Relações Públicas. (Wilcox et al, 2001: 106). O que pode ser
ratificado por um estudo feito por Larissa Grunig da Universidade de
Maryland e por Mark McElreath da Universidade Estatal de Towson, que
diz que as grandes organizações complexas têm maior tendência que as
pequenas empresas a incluir as relações públicas em seus processos
decisórios. Para eles as grandes empresas que atuam em um ambiente
altamente competitivo são mais sensíveis que outras às questões
políticas e à atitude do público, também criam uma forte identidade
empresarial e por isso outorgam maior importância a essa assessoria.
Nestas organizações a autoridade e o poder do departamento de
comunicação são relativamente altos, conseqüentemente também possuem
maior autonomia. (Ibidem: 2001:107)
Nas pequenas e medias empresas a
deficiência pode estar em um mal aproveitamento do potencial da
comunicação quando, por exemplo, não dão importância à formação do
pessoal responsável por este trabalho, quando consideram estas
tarefas meramente técnicas ou quando decidem a partir da alta
direção ou de outro departamento diretivo que questões de pressão da
opinião pública ou normativas governamentais devem ser tratados de
um ponto de vista isolado da comunicação. Ou seja, distanciam o departamento ou
responsável pela comunicação dos processos decisórios e das
operações legais da companhia.
Obviamente cada empresa escolhe a
estrutura de seu departamento segundo suas condições e de acordo com
a importância que dá à informação. Existen diversas empresas que
trabalham com um assessor independente que se reúne com a direção
eventualmente para receber as novas informações. Esse assessor se
mune com fotos das pessoas ou processos envolvidos (ex.: de um novo
produto; da planta que será ampliada, de uma diretora que assumirá a
nova filial, etc.) e também com materiais gráficos produzidos para
divulgação da notícia (ex.: folheto de informação técnica do
produto; dados estatísticos de produção da planta; estudo de demanda
para lançamento de serviço, etc.). Entretanto, o que ocorre com
esta forma de trabalhar
a informação é que se perde muito material informativo que a empresa
poderia estar gerando, já que a sistemática de chamar a um consultor
em períodos muitas vezes não determinados, dificulta o planejamento
de ações integrais que poderiam potencializar ou posicionar mais
estrategicamente as mensagens a serem transmitidas.
As funções na DIRCOM
variam segundo o porte da
organização e também da própria estrutura hierárquica geral.
Entretanto, normalmente se identificam os papéis do Diretor de
Comunicação, os assessores ou assistentes e o pessoal de apoio e
secretaria - o que seria um departamento clássico ou vertical (um
chefe e seus auxiliares).
Também pode estar organizado por especialidade técnica ou
horizontal (grupos responsáveis por atividades específicas).
Variavelmente, se emprega um jornalista para ser responsável pelas
publicações (jornais e revistas corporativas) quando o próprio
diretor não é profissional desta área. Profissionais de Relações
Públicas ou de Marketing, criativos publicitários e webdesigners - este último,
cada vez mais freqüente, ajuda a integrar os esforços comunicativos
de conteúdo e forma de difusão. Também há os que são organizados de
maneira descentralizada, um departamento mais enxuto na sede e
vários correspondentes formando uma rede numa empresa cujas
atividades estejam dispersas geograficamente.
Na opinião de Ignacio Sánchez de
León, Diretor de Comunicação do Grupo Bayer Iberia, o Diretor responsável pelo
departamento de comunicação tem que estar atento aos novos tempos e
por esse motivo, deve ordenar e colocar à disposição dos
trabalhadores, de seus clientes, seus investidores e demais
interessados pela organização ou aos temas a que a ela se referem,
uma valiosa informação que de outra maneira desordenada se perderia
pelo caminho.
Considera, ainda que a gestão de conteúdos, a que prefere
chamar de "marketing de informação" em uma empresa, é uma tarefa
fundamental do diretor ou do estrategista de comunicação integral.
"Esta gestão eficaz do
conteúdo, dispersado e até mesmo entrópico, é capaz de produzir
resultados tangíveis na gestão empresarial e aumentar a
produtividade da companhia em questão…". (ADCDirCom: 2000:
82)
Além disso, por tratar-se de um
responsável por um departamento, o diretor de comunicação responde não só pela "pasta"
de comunicação, como também, passa a responder por atividades
administrativas pertinentes ao departamento. Isso quer dizer,
coordenar o pessoal sob a sua responsabilidade, estabelecer
calendários de acordo com os demais departamentos com os quais esteja relacionado,
contratar serviços, prestar contas ao departamento financeiro,
estabelecer rotinas de serviços e reuniões internas, atender às
petições de outros setores e da direção e responder, em resumo, às
determinações da administração geral em temas como, por exemplo, de
segurança, horários, contratação de pessoal, etc.
Voltando a sua função mais
especializada, Ángel de Barutell, Diretor de Relações Externas da
cadeia de lojas espanhola El Corte Inglés, se tivesse que sintetizar
em poucas palavras o principal propósito de um diretor de
comunicação, seria que este consiste principalmente em projetar e
executar uma política de comunicação adequada ao projeto
empresarial. Para ele essa política é a tradução da estratégia
global da empresa, seu projeto, em um esquema de comunicação e
imagem que deve ser desenvolvido dia-a-dia mediante um conjunto de
técnicas e procedimentos socialmente adotados. (ADCDirCom: 2000: 72).
A DIRCOM e seu
público. "Para cada público sua mensagem;
para cada mensagem seu público ou seu segmento de público, de acordo
com a natureza da informação." (Piñuel: 1993:194)
Cliente, candidato, paciente,
consumidor, aluno, associado, pensionista, acionista, são sinônimos
quando a Comunicação - não importa a que área profissional seja
aplicada - está sistematizada com a finalidade de construir
relações, prestar informação de valor, atender à necessidade de
conhecimento de produtos e serviços que são oferecidos e obter, de
maneira clara e coerente, novas informações para uma
retroalimentação.
A DIRCOM tem uma visão ampliada
dos seus públicos-alvo. É para eles e com eles que todas as ações
são realizadas. E, por isso, a assessoria serve como um termômetro
das relações públicas da organização. Assemelhando-se à toda a
estrutura da organização, a DIRCOM, resume os processos de entrada e
saída (imput e output) através do que ouve e do que fala. Para
Barquero, os departamentos de comunicação, tanto internos como
externos, desenham estrategias e políticas de relações públicas para
fazer coincidir os interesses públicos e sociais com os privados
empresariais. (Barquero: 2002: 35).
Além disso, a valoração de
destinatários da informação é de extrema importância para a eficácia
da comunicação e isso deve ser sabido também pela diretoria e pelos
demais cargos da companhia, de forma inclusiva, para que a cada
projeto ou ação organizacional sejam levadas em consideração as
possibilidades informativas, publicitárias e mercadológicas que
serão potenciadas pela DIRCOM.
Essa valoração passa por
identificar o que Piñuel exemplifica como os dois tipos de públicos:
os públicos diretos que recebem as mensagens brutas, sem a mediação
de ninguém e os públicos indiretos, que recebem as mensagens através
de intermediários. E como a identificação e análise do público é
essencial para a execução da política integral de comunicação, ele
considera que se deve avaliar o caráter mais ou menos estratégico de
um público levando-se em consideração: "sua situação na cadeia de
comunicação segundo seja a mensagem ascendente, descendente,
transversal ou fora da estrutura hierárquica (por exemplo, uma
mensagem direcionada aos técnicos de uma empresa, sejam quais forem
as suas especialidades ou atividades)… Sua capacidade de reação:
mentalidade, facilidade de compreensão, grau de aceitação, etc. Por
exemplo, podia ser mais prudente começar por ações de sensibilização
dirigidas aos públicos…afim de que sua reação positiva envolva aos
demais." (Piñuel: 1993: 194)
Obviamente, com tudo isso não
queremos dizer que o departamento de comunicação seja o único
conhecedor do público de uma empresa. Para dar algum exemplo, a
equipe de produção tem uma clara definição do consumidor para quem
acaba de criar um produto; os consultores financeiros têm uma
profunda experiência sobre as principais dúvidas que têm os clientes
com relação ao serviço on-line que lhes estão prestando; a reitoria
de uma universidade conhece o perfil dos estudantes que se
candidatam para um dos cursos da área de saúde. A diferença aqui,
quando atraimos a responsabilidade de "escutar e falar com o
público" ao departamento de comunicação, reside em que quando a
comunicação de uma organização é feita desde diversas fontes
internas e para públicos isolados do universo da organização a
política comunicativa tende a desintegrarse e, conseqüentemente,
pode perder seu valor estratégico.
Sobre esse conflito Villafañe
esclarece que, "a dificuldade
para que exista uma estratégia integrada de comunicação é a grande
fragmentação que há entre os três tipos de comunicação (a
publicidade comercial centrada na área de Marketing, a comunicação
interna, dependente dos Departamentos de Recursos Humanos e a
relação com meios dependente dos antigos Gabinetes de
Imprensa…)". E, se observamos alguns não raros modelos
herméticos e muito hierarquizados de empresas privadas ou públicas,
é certo que Villafañe diga que existe "uma visão departamental que
impede a integração e, ainda que se detecte uma maior coordenação
entre as distintas áreas responsáveis da comunicação, se está longe
de uma estratégia integrada, por causa, fundamentalmente, da
segmentação dos públicos-objetivos". (Villafañe: 2002:104)
Continua
na 2 ª
parte...
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Artigo "O papel do
Departamento de Comunicação em uma Organização" (1ª Parte) 2ª
Parte
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