Um Departamento de
responsabilidades bastante plural. A grande importância da DIRCOM
reside em que, concebida a comunicação como ferramenta estratégica,
a organização passa a contar com uma fonte permanente que subsidia
dados ao tomador de decisões, antecipando-lhe informações sobre seu
entorno legal, político e mercadológico. Permite à organização falar
com seus públicos e escutar a opinião de todos os que têm a ver com
seu contexto. Posiciona-se, ainda, como catalizador de informações
que denotem uma crise, seja de origem interna ou externa à
organização e assim permite o acionamento de planos de
contigências.
A Fundação PRSA[2]
cita como elementos-chave das Relações Públicas: Assessoria,
Pesquisa, Relações com Meios de Comunicação, Publicity[3], Relações com
os Empregados/membros, Relações com a comunidade, Assuntos Públicos,
Assuntos Governamentais, Solução ou gestão de conflitos potenciais,
Relações financeiras, Relações industriais, Captação de fundos,
Relações multiculturais, Acontecimentos especiais, Comunicação de
marketing. (Wilcox: 2001: 9)
Quando a comunicação está
centralizada numa empresa, e não no sentido de retida, senão que,
institucionalizada em forma de um departamento dedicado, estão
sistematizados o "que", o "por que", o "como" e o "para quem" as
coisas são comunicadas.
E isso se traduz em uma posição crítica e integrada sobre os
objetivos de uma gestão corporativa, aqui sim, descentralizada.
Sobretudo, quando falamos sobre uma comunicação centralizada,
estamos referindo-nos a que todas as atividades comunicativas
estejam em mãos de um responsável que pode controlar as variáveis
destas atividades dentro de um contexto mais amplo, que é o próprio
objetivo da organização e direcionar os vários esforços que seriam
feitos em uma metodologia dispersa.
Desta forma as atividades
comunicativas mais freqüentemente desagregadas seriam a publicidade
corporativa, as relações com os meios, a publicidade comercial, a
comunicação interna, o protocolo e os eventos, não raro cuidadas por
um diretor comercial, um chefe de recursos humanos, pelo diretor
geral ou outros cargos da empresa. Em outras situações, algumas
destas atividades são contratadas fora da empresa.
Quando uma DIRCOM lida com todas
estas atividades, sua responsabilidade se vê ampliada e as
possibilidades são melhores para que se elabore uma política
comunicativa condizente com as diretrizes do negócio e com as
tendências da área da organização.
Na concepção de Barquero, a
comunicação corporativa tem por objetivo analisar tendências, prever
suas conseqüências, assessorar a direção, assim como, estabelecer
programas de ação que sirvam tanto aos interesses da empresa ou
instituição, como de seus públicos, acionistas, entidades bancárias,
pessoal, clientes, fornecedores, organismos oficiais e outros.
(Barquero: 2002: 27)
A visão estratégica, cada vez
mais importante para a efetividade de uma DIRCOM, parte também da
prática na gestão desse departamento onde as funções específicas de
seus membros são desejáveis e onde o Diretor ou Responsável lida com
ativos intangíveis orientados a uma maior competência da
organização.
Villafañe explica que a gestão
dos ativos intangíveis compreende: (Villafañe: 2002: 105)
·
A
incorporação de sistemas de avaliação dos intangíveis (marca,
reputação, gestão do conhecimento).
·
A
dotação de instrumentos que guiem e orientem a gestão de recursos
comunicativos (manuais, guias de procedimentos, etc.).
·
A
adoção de programas de gestão do conhecimento.
·
Responsabilizar-se pela gestão da
comunicação de caráter institucional, ou seja, coordenar a
comunicação globalmente.
·
Ocupar uma posição de gestão
dependente do principal executivo e à serviço da direção o que eleva
a posição ao conselho da direção.
Uma DIRCOM também recebe
consultoria em comunicação.
Não é raro encontrar situações
onde uma organização possua uma DIRCOM e ainda assim contrate os
serviços de uma consultora externa. Nestes casos, a DIRCOM é
responsável pela interlocução com esta consultora e, de forma
combinada, elaboram materiais, definem orçamentos, planejam ações e
calendários e coordenam as necessidades de representação da
organização junto a seu público.
Quando há uma ação combinada
entre uma DIRCOM e uma consultora para cuidar dos temas relacionados
com a comunicação é imprescindível ter claro o papel de cada um
destes agentes uma vez que a metodologia usada para trabalhar a
comunicação corporativa difere de quando o trabalho é planejado e
executado apenas por uma delas.
As Empresas de Comunicação ou, o
que é o mesmo, Agências de Relações Públicas, prestam consultoria
especializada em comunicação corporativa e institucional para outras
organizações. São
contratadas para uma campanha ou projeto específico, para uma
contigência relacionada com crise, ou ainda são contratadas
permanentemente para servir como um agente externo responsável por
colocar em prática um plano de ações estabelecido com a alta direção
da organização cliente.
As grandes consultoras lançam mão
de uma rede formada por suas filiais ou representantes distribuídos
em vários países (e dentro de um país pode estar em várias cidades)
o que favorece a política de comunicação de clientes de porte
internacional ou daqueles que necessitem fazer um investimento de
imagem em mercados externos.
Uma DIRCOM pode estar envolvida
num rol de serviços do seu setor que diversifica constantemente
sua atuação e a faz relacionar-se com muitos aspectos da sua
organização como, por exemplo, com a Produção, Vendas ou
Desenvolvimento de Novos Negócios. Com uma consultora de comunicação
acontece o mesmo, mas em setores completamente distintos uns dos
outros e ampliada a complexidade uma vez que a distância que tem
destas fontes faz com que a maioria da informação recebida para
elaborar seu trabalho venha dos diretores responsáveis por
transmitir-lhes as propostas e necessidades que acreditam ter com
relação à sua comunicação.
Para entender que necessidades
são estas consultamos as páginas webs das principais empresas de
relações públicas do mundo, como Burson-Marsteller, Hill &
Knowlton, Weber Shandwick e Fleishman-Hillard, por exemplo, onde
encontramos uma lista de serviços de relações públicas como:
Formação de porta-vozes, Pesquisa e análise de público, Comunicação
de marketing, Comunicação de crises, Pesquisa de meios, Gabinete de
impresa ou relações com meios, Organização de eventos, Estudo e
comunicação de imagem, Relações financeiras, Relações com a
sociedade e Fóruns públicos, Publicidade de produto, Comunicação de
marca, Comunicação interna, Lobby, Produção de publicações ou
elaboração de materiais institucionais e Relações
internacionais.
Além destes, outros serviços que
inicialmente se caracterizariam por ser de áreas como tecnologia da
informação, jurídica ou empresarial, também passaram a ser tratados
desde o ponto de vista comunicativo. Isto resultou na ampliação da
assessoria de comunicação que vai desde o cuidado com a imagem, com
a gestión de información interna e comunicação de produto a uma
política cada vez mais abrangente, ou seja global - a comunicação
com funções analítica, preventiva e prospectiva. Isso pode ser visto
nestes serviços com alto grau de especialização: Comunicação de
franquias, Análise de presença pública, B2B[4], Comércio
eletrônico, Gestão de percepções, Guia para comunicação de painel,
Imagem de dirigentes, Marketing social ou marketing com causa,
Projeto de ambiente físico, Relações com o canal de distribuição,
Relações públicas on-line e Wireless.
Ainda assim, estes serviços vêm
variando de acordo com a dinâmica dos mercados socioeconômicos, como
por exemplo, pela crescente demanda por informação por parte do
público e o advento de novas tecnologias da informação e comunicação
que otimizaram as condições dos fatores tempo e distribuição
das informações, sejam elas positivas ou negativas e,
conseqüentemente exige dos agentes implicados uma forma eficaz de
reação.
As consultoras de comunicação
costumam funcionar distribuindo seus clientes primeiro em grupos
(ex.: consumo, tecnologia, saúde, assuntos corporativo, etc.) e
depois, em subgrupos (ex.: consumo agro-alimentário, consumo de
produtos de entretenimento, etc.), criando, assim, dentro da própria
agência, equipes especializadas em cada um destes temas, ou seja,
uma comunicação aplicada à área de atuação do cliente. Assim, quando
uma organização não conta com uma DIRCOM, a agência contratada passa
a representar um forte papel como consultora (entenda-se também,
executora) na tarefa de transmitir a política corporativa do
contratante ao mercado e à midia. Além disso, algumas organizações
demandam das agências um trabalho investigativo muito importante
como a elaboração de seus bancos-de-dados ou a captação de
oportunidades de aparição de sua marca.
A Política de Comunicação e a
Cultura Corporativa são indissociáveis: o fortalecimento de uma leva ao
fortalecimento da outra, assim como a debilidade na política de
comunicação em uma organização também dificulta a propagação da
cultura, da identidade, da imagem, dos valores, da missão ou
filosofia corporativa que, em suma, estão intimamente relacionados.
Segundo Carmen García Galera, "a crescente preocupação atual
pela comunicação nas organizações é também produto da atenção
teórica surgida na última década sobre os problemas da cultura nas
organizações. Falando de sociedade, o que distingue sempre uma
cultura é seu idioma e, em termos mais gerais, seus modelos e
práticas comunicativas. Da mesma maneira, se falamos da cultura de
uma organização, todos os problemas de comunicação da organização
passam a primeiro plano". (Galera: 1999:103)
Isso ilustra que a melhora das
habilidades comunicativas, assim como a utilização eficaz dos meios
para viabilizar a comunicação com seu público, passa todo o tempo
pela mesma freqüencia que ocupa a cultura da organização. A
comunicação e a cultura se assemelham no âmbito político e nas
táticas para implantação das suas ações.
Carmen García Galera detalha esta
coincidência de aspectos quando diz que a comunicação é o processo
que permite às pessoas coorientarem suas condutas, "a comunicação dá forças às
pessoas para trabalharem juntas afim de alcançar os fins propostos;
mais concretamente, as pessoas mediante as atividades sociais
estabelecem acordos mútuos de relações aceitáveis através de modelos
ritualizados de comunicação com os outros. Estes acordos relacionais
se direcionam a modelos interdependentes de interação para coordenar
seus esforços aos objetivos comuns". (Ibidem: 1999: 102) Além
disso, há um grau de relação entre a cultura declarada de uma
empresa e a democracia que deve existir como modelo de
micro-sociedade que é uma organização e isso se acentua com a
disseminação do uso das tecnologias da informação.
Num estudo realizado pela
Associação de Diretores de Comunicação da Espanha, verificaram a
necessidade de que na era da informação o diretor de comunicação
como agente comprometido com a democratização da informação para
seus coletivos, encara desafios permanentes nesta contínua busca de
inovação dentro de um mercado cada vez mais transparente, onde a
empresa também deve estar mais aberta. Observaram que deve-se cuidar
do diálogo com os atores da organização mais que antes se se quer
ter a empresa ou instituição implicada com os benefícios dos
empregados, dos clientes, do consumidor e do acionista. (ADCDirCom:
2000: 82)
Comunicação, uma ciência aplicada
à organização. Haja visto que a comunicação vem
sendo considerada como ciência aplicada e que alcança cada vez mais
maturidade na prática profissional, também vêm surgindo novas
especializações acadêmicas, a título de pós-graduação, como por
exemplo, programas de cursos de Especialização em Comunicação e
Mercado, em Relações com Meios, em Comunicação Política ou em
Comunicação Financeira, para citar algumas.
Mesmo assim, a especialização
mais freqüente ainda é aquela adquirida na prática e aperfeiçoada
com o tempo na organização ou em outras organizações do mesmo setor.
Automoção, produtos hospitalares, indústria agroalimentária, turismo
ecológico, educação, indústria da moda, campanhas beneficentes,
serviços bursáteis, lobby, é um sem-fim de tópicos dentro do mundo
empresarial e institucional. Para isso, além do conhecimento das
técnicas da comunicação o profissional precisa estar muito aberto e
informado, necessita estar comprometido com o seu entorno e buscar
envolver-se intimamente com ele para melhor expressar as mensagens
que atendam às necessidades da corporação.
A diversidade de assuntos
tratados pelo profissional de comunicação corporativa é algo
realmente motivador. Fora dos limites da sua disciplina este
profissional tem que aprender a manejar-se em terrenos, muitas
vezes, alheio à sua formação e experiências. Isso quer dizer,
claramente, que não é possível, no trabalho da comunicação
corporativa, ser simplesmente técnico e aplicar o b-a-bá das
ferramentas da comunicação. As pesquisas de mercado, a análise
psicológica do público, o domínio de novas tecnologias, o uso da
criatividade para oferecer uma alternativa de divulgação de um novo
produto nesse mar de novidades facilitado pela globalização, serão
habilidades requisitadas mais cedo ou mais tarde nesta
profissão.
Na avaliação de Javier Fernández
del Moral sobre as práticas da profissão de comunicação corporativa,
"(…) só é possível falar de
comunicação aplicada se partimos de um corpus científico
independente e renovado, se partimos das ciências da informação e da
comunicação e aplicar esses conhecimentos para fazer mais rigorosa e
independente a comunicação ao serviço da sociedade, quer se aplique
ao âmbito dos meios de comunicação ou se aplique ao âmbito das
fontes (empresas e instituições)". (Piñuel: 1993, XIV)
Enfim, para o empresário que
ainda não se havia decidido pela melhora na competitividade de sua
organização através da aplicação da comunicação ou relações
públicas, esperamos que as palavras "creatividade" e "estratégia"
passem a soar mais familiares, mais sugestivas e, com certeza mais
significativas para sua perspectiva de reestruturação corporativa.
Referências
Bibliográficas